No meio do caminho há um espelho.
Mas o espelho mente.
Mostra a pedra, o abismo, o tropeço,
e nunca o céu que se abre quando se crê.
No meio do caminho há um palco.
Luzes, fumaça, som estéreo.
Há um deus minúsculo,
com palmas e holofotes
que não conhece o silêncio da cruz
nem o pão partido no chão da cozinha.
Fé…
Fé não é fórmula mágica.
Não é crer se, nem crer quando.
Fé é fechar os olhos para o medo
e abri-los no rosto de Cristo.
É lançar o coração nas mãos furadas
e descansar.
Não se trata de ver sinais.
Se trata de ser sinal.
E amar —
amar com os joelhos ralados,
com o prato dividido,
com o tempo emprestado a quem sofre.
Porque amar os que me amam
é matemática.
Mas amar o estranho,
o feio, o que fere,
ah… isso é Evangelho.
Deus com D grande
não cabe em telões.
Deus mora no canto da alma,
no choro do arrependido,
no abraço que não pede nada em troca.
Cristo,
teu olhar me basta.
Os problemas gritam, eu sei.
Mas tua presença sussurra mais forte.
E se entrego — não parte, mas inteiro —
meu caos em tuas mãos,
sei que teu amor fará morada.
No meio do caminho há uma escolha:
olhar para o problema,
ou olhar para ti.
Eu escolho os teus olhos.
Eles têm a cor da eternidade.